03 dezembro 2009

THE FLAMING LIPS - "Embryonic"

Os The Flaming Lips passaram de desconhecidos (para mim, apesar de terem quase 30 anos de carreira e 12 álbuns na bagagem) a uma das bandas mais enigmáticas com a qual tive contacto na minha curta cultura musical. E o que eu andei a perder durante anos...
Contactar com este "Embryonic" é, por si só, uma experiência. Às primeiras audições, vemos logo que está ali uma coisa em grande, mas falta-nos perceber bem aquilo que eles pretendem com a música. Este enigma - e a beleza da sua música, obviamente - incita-nos a ouvir só mais uma vez, para perceber. E depois, mais uma, e só mais uma. Por fim, reparamos que estamos viciados na música, embuídos em toda a atmosfera Lipiana (ou será mesmo um planeta?), quase que a rastejar por mais e para que as músicas não tenham fim.


Há uma coerência incrível ao longo do extenso álbum de 2 CD, composto no total por 18 faixas. "Convinced of the Hex", a música de abertura, dá-nos logo como aperitivo a ementa que vai ser servida nas restantes músicas: experimentalismo em dose reforçada, regado com doses de psicadelismo, tudo isto acompanhado com uns óptimos sons intergalácticos. "The Sparrow Looks Up At The Machine" vem só intensificar o clima, torná-lo mais denso, transformar a atmosfera. Em "Evil", penso exactamente como diz a letra: "I Wish I could go back / Go back in time", para poder ter acompanhado de mais perto o trabalho destes senhores. Já agora, uma melodia excelente, nesta música.
"Silver Trembling Hands" (apresentado no EP que antecedeu este lançamento), "Gemini Syringes" e "Powerless" são mais 3 músicas imperdíveis, que transmitem na perfeição o sentimento de "Embryonic".
No meio de todo o experimentalismo e psicadelismo, este álbum também passa por momentos de maior acalmia, como são exemplo "If" e "The Impulse".
De referir que este é também um álbum com algumas colaborações, como é o caso dos MGMT, em "Worm Mountain" (uma faixa mais pesada), ou da Karen O, dos YYY's, em "I Can Be a Frog" ou "Watching the Planets" (o single de apresentação do álbum, que tem uma força enorme e um ritmo contagiante). Já agora, uma curiosidade que encontrei na Wikipedia: "Karen O's contributions were recorded by Wayne Coyne over the phone."
É também fantástica a forma como Wayne Coyne e companhia fazem músicas mais pequenas (de transição, talvez), com uma complexidade sonora e com tais elementos que nos deixam agarrados. "Sagittarius Silver Announcement" é um desses exemplos, com um baixo em pano de fundo, ao qual de vão juntando os mais diversos elementos sónicos. "Aquarius Sabotage" não lhe fica nada atrás, na quantidade de elementos sónicos interespaciais que introduz.

"Embryonic" é igualzinho áqueles pratos em que comemos e ficamos a chorar por mais.
Acredito que este é um álbum que vai continuar a crescer dentro de mim ao longo do tempo.
É uma viagem por todo o Universo. É um acontecimento.

9/10

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