15 maio 2010

Afterschool

"Afterschool" é um filme independente de António Campos, um americano de ascendência brasileira que ainda nem chegou aos 30 anos.

Retrata a vida de adolescentes de um colégio religioso (principalmente a do jovem da capa), que fazem uma vida perfeitamente normal. Esse jovem é fanático por filmagens, e numa das filmagens para o clube de cinema do qual faz parte, acaba por filmar a morte de duas gémeas, duas das raparigas mais populares lá do sítio, por overdose.
O filme centra-se essencialmente na vida deste adolescente, na descoberta da sua sexualidade, das relações humanas, dos desgostos, das tristezas, da lide com a morte...
É um excelente retrato da sociedade de hoje em dia, em que facilmente jovens sem grande consciência e responsabilidade decidem alinhar em todo o tipo de esquemas, só porque é cool.
Nota muito positiva para a realização, que consegue conjugar momentos cinematográficos com outros mais ao estilo de documentário, captados pela câmara do protagonista, bem como diferentes
O filme acaba por ter um desenrolar algo imprevisível, apesar de eu estar à espera do final.
De referir ainda que é um filme que nos deixa a pensar, e eu gosto de coisas assim.
Nota global bem positiva.

7/10

Ressaca...

Há mais de 24 horas que não vejo um directo sobre a visita papal a Portugal.
Estou a hiperventilar, com suores frios e vomito-me todo...
Quero saber mais sobre o Papa!
Quero saber quantos passos deus do papa-mobile até ao altar da Av. dos Aliados.
Quero saber TUDO!

O próximo passo é o suicídio.
Adeus amigos.
Adorei conhecer-vos.
See you on the other side!

12 maio 2010

Lolita

Li "Lolita", de Nabokov, há uns meses atrás e fiquei com a "pulga atrás da orelha" depois de descobrir que havia duas versões cinematográficas do livro, uma delas do mestre Kubrick.
Portanto, e depois de ter adorado o livro, decidi ver qual o retrato dado pelo falecido realizador norte-americano a um dos mais polémicos livros do século passado.
O filme é de 1962, a preto e branco e bastante longo (2h30, aproximadamente). O estilo de realização não se assemelha a nada do que já vi do realizador, e logo por aí acabou por me deixar de pé atrás.
Outro facto que acabou por desvirtuar um pouco a história foi a utilização de uma actriz para fazer de jovem adolescente com uma aparência muito adulta, o que acaba por contrastar grandemente com o que se lê no livro, e que é o que mais choca. Não sei bem os motivos para esta pequena "adulteração", mas acabo por compreender que fosse complicado colocar uma miúda de 12/13 anos a interpretar uma personagem com uma elevada carga sexual.
Passando ao filme propriamente dito, o mesmo começa pelo fim. Todos sabemos o desfecho nos primeiros minutos, e depois é um desbobinar da história de Humbert Humbert e da sua Lolita.
A construção da narrativa está bastante interessante, e dá-lhe um ar de maior suspense. No entanto, há algumas cenas que acabam por perder muito, apesar do bom trabalho realizado pela equipa na tentativa de reproduzir da melhor forma o extenso livro.
Não era um livro fácil de adaptar, quer pela densidade temática, quer pelo extenso desenvolvimento dos factos, mas Kubrick e a sua equipa conseguem espremer bem o sumo.
De longe, prefiro o livro ao filme, que mesmo assim acaba por ter momentos bastante intensos.

7/10

08 maio 2010

BROKEN BELLS - "Broken Bells"

Dupla promissora. Ao vocalista de uma das bandas mais inspiradas (e inspiradoras) da última década – The Shins –, junta-se o produtor DangerMouse, para criarem música pop, sem grandes floreados mas com qualidade. 
Não conheço DangerMouse, mas conheço The Shins, e nestes Broken Bells identificam-se diversos padrões musicais não muito distantes da banda de James Mercer, o que é necessariamente bom.
“Broken Bells” não é, na minha interpretação, um álbum que queira revolucionar o mundo da música. 
Parece-me um projecto nascido da vontade destes dois músicos trabalharem em conjunto. Portanto, este disco é composto por um punhado de boas canções pop, como a faixa que abre o disco, “The High Road”, ou “Vaporize” que se lhe segue, passando por algumas influências mais recentes, como Santigold, bem exposta na batida inicial de “The Ghost Inside” e outro par de canções bem interessantes. Mas o melhor fica para o fim, com as duas melhores canções do álbum a chegarem em “The Waiting Game” – com um baixo a mandar na música – e “The Wall and the Mistery”, que entra directamente para o top das minhas preferidas do ano: começo misterioso, guitarras desenfreadas e ritmo no ponto. Muito bom! 
No geral, o álbum mantém uma consistência assinalável, e quando damos conta já o CD está a acabar de rodar, o que é sempre bom. Um álbum leve, óptimo para dias de sol e de espírito alegre. 

7/10

07 maio 2010

Futebol em tons do arco-íris


A foto que está a fazer furor em Espanha. Ibrahimovic e Piqué, jogadores do Barça, foram apanhados em cenas de cariños (em espanhol) que muitos dizem serem comprometedores.
A sorte deles é que o Barcelona marca muitos golos, e fartam-se de festejar como bem querem:

O caso ganha ainda maior protagonismo, uma vez que a luta pelo título espanhol continua renhida, e qualquer factor de desestabilização conta, e ainda porque o sueco já foi "apanhado" a fazer olhares comprometedores e fulminantes ao fenómeno Ronaldo, num derby milanês, como se pode ver no vídeo.

Mas há mais casos.
Scholes e Neville (dois veteranos do Manchester United) decidiram festejar exuberantemente um golo há um par de semanas.

E o "nosso" Miguel Veloso emocionou-se bastante num jogo da selecção sub-21 há uns anitos:

Resumindo e concluindo, o futebol já não é o que era.
Fazem falta é homens de bigode!

06 maio 2010

Noites da Queima'10: Crystal Castles & Franz Ferdinand

Este ano, a Queima do Porto recebeu dois nomes internacionais que tinha bastante curiosidade em ver. Uns - os Crystal Castles - pela energia característica da sua música, e outros - Franz Ferdinand - porque foram/são (?) um dos grande fenómenos da música indie da última meia década.
Os concertos tiveram auras completamente distintas, e despertaram em mim sentimentos diversos e quase opostos, o que me levou a achar um deles portentoso e o outro apenas bom.
Passando ao que realmente interessa...

Os Crystal Castles apresentaram-se no Porto com um álbum fresquinho, acabadinho de sair, e que se segue ao muito aclamado primeiro álbum de há 2 anos - curiosamente, ambos os discos se chamam "Crystal Castles", o que o torna complicado a distinção entre os dois.
O concerto começou com um power incrível, com músicas do mais eléctrico-punk novo álbum. Logo a partir desse momento, deu para discernir sobre quem estava realmente para ouvir o duo ou quem estava para ouvir um som enquanto bebia umas cervejolas... E os gajos das cervejas preferiram ir bebê-la para outros lados, que aquilo não é música para meninos, com distorções, gritos, baixos no máximo, experimentalismos e jogos de luz psicadélicos.
Não houve nenhuma música importante que tenha falhado (que me lembre), portanto o público teve que ficar satisfeito, apesar da interacção praticamente nula da banda com os estudantes.

O som de início não estava grande coisa (deve fazer também parte da tradição académica portuense...), mas ao fim de um par de músicas, ficou bem equilibrado e deu para bombar muito ao longo da mais de uma hora de concerto, com a vocalista Alice Glass completamente avariada da cabeça sempre a tentar empoleirar-se nas grades de protecção do público e a andar desvairada pelo palco. Uma energia incrível, que me fez lembrar, por vezes, Karen O - salvo as (in)devidas comparações.
Resumindo, passaram-se ali momentos muito bons, cheios de intensidade e energia, que fazem com que não me importe de os ver num futuro muito próximo!
Estrondoso!

Dois dias depois foi dia da maior enchente que já vi numa Queima. Os conotados Franz Ferdinand voltaram a Portugal e os fãs não quiserem perder a oportunidade.
Mas quem a perdeu fui eu... Devido à imensa gente que por lá andava, desloquei-me para uma das laterais, e o som chegava lá em péssimas condições (o habitual...), o que desde logo condicionou a minha apreciação ao concerto. As deficientes condições do recinto para receber tamanha afluência de gente também condicionou todo o ambiente em redor do show.
A banda escocesa manteve-se em palco durante quase 2 horas (o que na minha óptica acabou por ser demasiado cansativo), passando por todos os singles da banda e incidindo pouco no mais recente álbum da banda. Como confesso pouco apreciador do segundo disco dos FF, acabei por "sofrer" um pouco com tanta música tocada desse álbum, mas os momentos altos foram sendo as músicas do disco que surpreendeu meio mundo em 2004. Foram sem dúvida os pontos mais apoteóticos da noite para os fãs e estudantes presentes, juntamente com o momento de percussão protagonizado pelo quarteto quase no final da noite.
No entanto, este concerto fez-me ver que já não gosto tanto dos Franz Ferdinand como gostava há uns anos. São competentes, mas (já) não me entusiasmam...
Fica no entanto a recordação de que já vi um concerto deles.

05 maio 2010

LOCAL NATIVES - "Gorilla Manor"

Os Local Natives são uma das boas surpresas deste ano. Apesar de serem originários de Los Angeles, o álbum foi lançado primeiro – e ainda no ano transacto – no Reino Unido, e só mais tarde – já em 2010 – nos EUA. Por este motivo e pelo facto de os ter conhecido apenas em 2010, considero este um álbum de 2010 e não se fala mais nisso.
A sonoridade poderá ser incluída no rótulo indie, tão em voga nos últimos tempos, sendo que já os compararam com bandas como Vampire Weekend, Fleet Foxes ou Arcade Fire – há ainda uma versão dos Talking Heads, em “Warning Sign”, o que poderá fazer prever alguma influência musical desta banda. Mas os Local Natives não deixam de ter músicas bem definidas, uma identidade bem desenvolvida e bastante identificável. Todo álbum tem uma consistência assinalável, sempre num tom bem ritmado e cheio de melodia, juntando aos habituais instrumentos das bandas violinos e o piano. As músicas são todas elas relativamente grandes (entre os 4-6 minutos), o que dá sempre espaço a alguns sinais de improvisação e fuga ao estilo clássico de canção de 3 minutos, com refrões quase sempre muito catchy.
“Wide Eyes” abre “Gorilla Manor”, com uma bateria que, sinceramente, naquele ritmo não caía mal nos The National. “Airplane” e “Who Knows Who Cares” seguem uma onda mais calma mas igualmente interessante. “Sun Hands” tem o refrão mais viciante do álbum, ainda para mais quando um coro de crianças começa a cantar “And when I can feel with my sun hands / I promise not to lose her again” a plenos pulmões, só apetece desatar a fazer o mesmo. Para o fim, deixo o melhor momento: “Camera Talk” é um dos hinos deste ano, cheia de elementos fortes e diversos; quem quiser descobrir este álbum, que comece por aqui, se faz favor, que isto é contagiante.

“Gorilla Manor” ganha, para já, o prémio de uma das bandas mais cool do ano.

8/10

30 abril 2010

Margem Sul State of Mind

Numa sátira à musica de Jay-Z e Alicia Keys, Rui Unas saca disto:

29 abril 2010

Mourinho Show

É um orgulho ter um português como melhor treinador do mundo a derrotar a melhor equipa do mundo.
Esta celebração faz lembrar a de há 6 anos, em Old Trafford, no Manchester United - FC Porto, e a conclusão que se pode tirar é:
Ninguém pára o Mourinho nos 100 metros em relva!

28 abril 2010

Star Wars Saga

Durante anos, vivi com a ideia de que não gostava de "Star Wars". A temática não me puxava, o fenómeno de massas e de fãs afastava-me ainda mais dos filmes. Nunca fui muito de seguir correntes, e como sou um gajo do contra, gostava de dizer mal mesmo sem nunca ter visto um minuto sequer de qualquer um dos filmes - coisa que não é fácil, já que volta e meia invadem as televisões de domingo à tarde.
Pois bem, tudo se confirmou - para quebrar desde logo o possível suspense.
"Star Wars" não me seduziu, não me conquistou, não me empolgou, não me emocionou, não nada.
Como todos sabem, esta saga foi dividida em duas trilogias. A primeira - exibida entre finais da década de 70 e início dos 80's - retratava os epiódios IV, V e VI, ficando a parte inicial da história reservada para o século XXI, mais de 25 anos após a primeira sequência de filmes. Sinceramente, não percebo muito bem o porquê desta situação... Mas tudo isto só para dizer que decidi seguir a ordem cronológica da história, e não a ordem cronológica de exibição dos filmes, pelo que comecei a saga pelo Episódio I, de 1999.
O básico da história acho que todos conhecem. Os filmes não são mais do que batalhas entre o bem e o mal, num futuro em que se viaja no universo (ou numa galáxia, mais propriamente) como se fôssemos de Gaia para o Porto e tivéssemos simplesmente que atravessar a Ponte da Arrábida (sem o trânsito de hora de ponta), regados com imensos efeitos especiais.

Confesso que tentei abstrair-me ao máximo das ideias pre-concebidas, das personagens que conhecia, de tudo aquilo que ouvia falar. Muitas coisas conhecia, muitas outras fiquei a conhecer - isto tem uma vantagem enorme, porque há dezenas de filmes, séries, sites ou livros repletas de referências a "Star Wars", e assim já não fico completamente alheado delas.
A primeira impressão que temos quando começamos a ver "Star Wars" é que aquilo está ali para encher chouriços, enquanto se tem uma história central bem desenvolvida mas bem curta. Há triângulos amorosos, há irmãos, há o bem e o mal, há tudo o que George Lucas queria que existisse. Mas, à parte da pequeníssima história central, tudo o resto é demasiado acessório, sem conteúdo... Longas cenas de acção (sem uma única fala), momentos repetitivos, diálogos ocos, e desenvolvimento da história, quase zero, tirando a parte final. Isto é comum a todos os filmes da saga e é um dos grandes motivos para eu achar a maior parte dos episódios uma tremenda seca. Então os dois primeiros episódios da saga são qualquer coisa de constrangedor...
Aliás, a ideia com que eu fico ao ver os seis episódios é que aquilo ficava bem só com 3 filmes, mas o sucesso fê-los inventar mais 3 episódios, para vermos o crescimento de Darth Vader e a formação do Império já perfeitamente estabelecido nos primeiros minutos do primeiro episódio (o IV). Claro que tal pode não corresponder à realidade - sinceramente não li sobre o assunto... -, mas que fico com essa ideia, lá isso fico.

Com isto, devo dizer que achei a primeira trilogia (IV, V e VI) em tudo superior à segunda (I, II e III). Acredito que em termos de ficção científica e efeitos especiais, o surgimento de "Star Wars" em 1977 tenha sido uma valente pedrada no charco (apesar de várias falhas perfeitamente identificáveis ao longo dos filmes, às quais não dou grande importância devido à época em que se realizaram as películas), mas basta uma comparação com "Blade Runner", feito poucos anos depois, e ficamos logo menos impressionados. Assim, os filmes da década de 70/80 são mais interessantes por toda a vertente da novidade, pela introdução dos diversos planetas, dos diferentes sistemas solares da galáxia "far, far awat", dos divertidos e estranhos seres inteligentes imaginados por Lucas, pela inovação tecnológica colocada ao serviço dos efeitos especiais.
Os filmes deste século são insossos e destacam-se apenas pelo aprimoramento das personagens (utilizando computadores e personagens virtuais) e pela melhor qualidade dos efeitos especiais e das batalhas - particularmente das coreografias nos combates entre Jedi's e Sith's, com os famosos sabres de luz (uma das grandes falhas dos capítulos IV-VI). A história, como já relatei, é praticamente inexistente, os diálogos são sofríveis e as longas cenas de batalhas ou corridas são desnecessárias e cansativas...

Uma crítica à saga em geral. Falta emoção. As batalhas acontecem sem que nada o anuncie, praticamente. Não há a criação de suspense, de empolgamento, as cenas são coladas à pressa... Isso retira também um pouco da piada ao filme. Também tenho que destacar algumas falhas na história... Uma das que me recordo melhor é os robots não se lembrarem, no início do episódio IV, das personagens que transitaram desde os episódios I-III, com os quais conviveram durante largo período.
Agora, as partes que mais me agradaram.
Todas as personagens desenvolvidas. Primam pelas semelhanças com seres conhecidos na Terra (falos dos diferentes seres inteligentes e dos animais selvagens ou domésticos), mas incluem elementos vanguardistas. Destaque para para a dupla robótica (C3PO e R2D2), sem dúvida o casal mais cómico da saga, e para o Yoda da versão antiga, que mais parece uma personagem saída da Rua Sésamo - com tudo de bom que isso acarreta. A desilusão acaba por ser o Darth Vader dos 80's, que tem um ar pouco assustador e sinistro, pelo menos não tem a carga simbólica do mal demasiado carregada e bem explorada. No último episódio dos filmes mais recentes, esse aspecto transmitiu uma muito superior carga de intensidade, que acabou por não ter correspondência. De resto, e tendo em conta as personagens principais, não há grandes destaques de interpretação, mas esse também não era o objectivo dos filmes.
Há ainda a destacar as indumentárias e instrumentos utilizados, que numa visão 30 anos à frente nos fazem esboçar um sorriso com as ideias que os autores da época tinham sobre o futuro. Penso que as coisas evoluiram rápido demais (noutros - por exemplos, os carros voadores -, não evoluiram) para os pensamentos que os autores de filmes de ficção científica tinham sobre o futuro. São visões interessante e comuns a todos os filmes do género. No entanto, é sempre difícil prever aquilo que se vai passar no futuro, e acaba por se rum exercício interessante e engraçado.

Para finalizar, e numa altura em que o texto já vai longo, devo dizer que considero a saga "Star Wars" um marco no cinema de massas, por toda a evolução tecnológica que despoletou e por todo o fenómeno que provocou devido às extravagantes e marcantes personagens que existem no enredo. Mas "Star Wars" no seu todo acaba por ser vazio de conteúdo, principalmente nos episódios mais recentes, que - repito - me parecem um tremendo "encher chouriços".
Não vou voltar a ver os filmes porque não me deixam saudades, mas fica o conhecimento geral e a possibilidade de integrar conversas que muitas vezes rodam à volta do Universo Lucas.

5/10

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