17 março 2010

OK, não é novidade mas...

É português e está muito bom!

(isto surge depois de aparecerem no Youtube várias iniciativas do género, uma das quais eu coloquei neste blog, com a desprezível "música da selecção")

15 março 2010

Notícia triste: o Mariano lesionou-se e pára 6 meses...

E agora o FCP já não vai conseguir despachá-lo no mercado de Verão e vamos continuar a levar com ele...
Notícia muito triste...

SPOON - "Transference"

Os Spoon são uma das bandas mais respeitadas do movimento indie actual, não só por serem dos mais antigos, mas também por manterem uma coerência e consistência assinalável.
2010 é o ano do regresso aos originais, depois de um "Ga Ga Ga Ga Ga" que me caiu no goto e que me abriu caminho a conhecer mais sobre esta banda.
Os Spoon não têm que provar nada a ninguém, têm um estatuto e parecem divertir-se a fazerem música. "Transference" é isso mesmo. Um disco divertido para quem o fez e para quem o ouve, mas que acaba por não trazer nada de muito inovador à discografia da banda americana. As canções apresentam uma naturalidade notável, mas nunca (ou quase nunca) surpreendem, pelo menos a mim não, pelo menos da forma que o álbum anterior fez. 
No entanto, é um disco bem homogéneo, que mais parece uma jam session, onde tudo flui. "Is Love Forever?" tem guitarradas à maneira, "The Mistery Zone" mais parece uma conversa de café (no bom sentido), "Trouble Comes Running" remete-me para o álbum de 2007 e acaba por ser a música que mais me agrada e o single "Got Nuffin" é uma boa malha rock.
"Transference" não é um trabalho deslumbrante, mas ouve-se bastante bem. De certeza que os fãs não ficarão desiludidos com aquilo que foi feito, e num concerto ao vivo não se sentirão diferenças com o que foi feito anteriormente.

7/10

Shutter Island

Este era um dos filmes deste início de ano que mais expectativas me gerava. Sou um fã do Martin Scorsese e gosto de todos os seus filmes (os que vi) e aprecio bastante as qualidades de representação do seu fiel acompanhante, Leonardo DiCaprio (nunca o vi fazer um papel mau).
Outro dos motivos que me provocava alguma curiosidade era a história e o género do filme, um pouco distante daquilo a que estamos habituados no realizador.
Sendo assim, Scorsese decidiu brindar-nos com um thriller psicológico, um filme repleto de suspense e momentos intensos.
"Shutter Island" passa-se na década de 50 e é sobre a investigação por parte de um Marshall ex-militar da II Guerra Mundial do desaparecimento de uma doente psiquiátrica do mais perigoso hospital/prisão psiquiátrico dos EUA, situado numa ilha completamente isolada e inacessível e da qual é impossível escapar. Logo aqui, o caso ganha contornos estranhos, não só pelas circunstâncias do desaparecimento mas também pela atitude das pessoas que lá trabalham.
Durante a primeira parte do filme, Scorsese consegue colocar de forma perfeita todas as cartas do baralho em cima da mesa. Faz-nos estar bem atentos a cada uma das personagens, a tentar descobrir os seus pontos fracos em busca da resolução do mistério. Só por aqui se vê a mestria do realizador, que nos deixa de facto com dúvidas em relação a tudo e todos. Depois ao longo do filme, mais revelações vão sendo feitas e as peças do puzzle começam a ligar umas com as outras, encadeando o filme e prendendo-nos do primeiro ao último minuto, porque não queremos - nem podemos - perder um único pormenor da história. É um filme que nos deixa colado ao ecrã e que nos faz ir pensando. Ou seja, o filme controla-nos a nós e nós não conseguimos controlar o filme. A cena dos fósforos é particularmente intensa e deixou-me com os nervos em franja.
O resto é classe de realização e de interpretação. A carga psicológica dada ao filme é poderosa e o ambiente circundante avassalador. É quase um filme de terror série B, tal a forma como é abordado, mas consegue também distanciar-se (ou não aproximar-se, depende do objectivo inicial) desse género de uma forma bastante original. 
Os planos, a fotografia e as personagens fazem o resto. DiCaprio está magistral, como sempre. Aliás, não lhe conheço nenhum papel abaixo do "muito bom" (posso estar a ser pouco preciso, mas essa é a opinião com que fico depois de ver vários filmes em que ele participa). Ben Kinglsey consegue transmitir precisamente aquilo que lhe é pedido: mistério, segurança, certezas que nos deixam desconfiados. E até Mark Ruffallo, apesar de não ser um actor que aprecie muito, tem um papel bastante interessante e enigmático.
O filme segue o rumo que os seus autores decidiram seguir (e muito bem!) e a parte final é absolutamente soberba. Não alteraria nada no filme.
"Shutter Island" é enigmático quando tem que ser, é stressante quando tem que ser, é comovente quando tem que ser, é assustador quando tem que ser. Tudo na dose certa e no momento correcto.
"Shutter Island" é uma lição de borla a todos aqueles que querem (e tentam) fazer filmes de suspense ou thrillers. E há que aproveitar, que o mestre Scorsese não vai estar disponível a vida toda e provavelmente não voltará ao género. E ainda bem, que assim fica bem recordado.

9/10

Whatever Works

O mais recente filme do Woody Allen marca o regresso do realizador à "sua" cidade, Nova-Iorque, numa comédia que ganha contornos quase épicos com a interpretação soberba de um homem de meia-idade do mais depressivo, jocoso e negativista que existe por parte do grande Larry David.
"My story is, whatever works as long as you don't hurt anybody. Any way you can filtch a little joy in this cruel and pointless life, that's my story."
Esta frase quase que consegue descrever o filme. 
A história não é mais do que uma divagação sobre a morte, sobre o sentido da vida, das relações humanas, da vivência terrena, vista por um gajo que já tentou o suicídio e que, por azar, falhou a morte.
Consegue ver negatividade em tudo o que de bom lhe acontece na vida e é um derrotado por natureza. Essa natureza leva-o a desenvolver o mais mordaz e directo sentido de humor que já vi num filme, o que me levou a adorar cada bocadinho em que o Boris entrava. Aliás, Woody Allen prova com este filme ser um excelente argumentista, já que há falas absolutamente lindas. E tudo com uma história central do mais trivial que possa existir. Aqui, também entra a genialidade de Larry David na interpretação, coadjuvado essencialmente por pacóvios (ou "cretins") - gente que parecia atrair até ele, só para os poder criticar e maldizer.
"Whatever Works" é uma história que tem por base um amor quase impossível - ou irreal - entre uma jovem campónia burra e um velho rabugento génio da Física. Logo nesta relação, há material de sobra para explorar, mas o filme não morre aqui, e as personagens que vão sendo adicionadas trazem cada uma delas a sua peculiaridade, a sua excentricidade. São pessoas comuns, pessoas reais, levadas ao extremo e aproveitadas ao máximo por Woody Allen. Todos temos um pouco de cada um deles, todos nos identificamos um pouco com cada um deles, mas ao mesmo tempo todos nos queremos afastar deles.
Confesso que foi das comédias que mais gosto me deu ver, pelo tipo de humor e pela crueldade e natureza da personagem principal, que é absolutamente deliciosa (não me canso de repetir). Woody Allen demonstra aqui que está bem vivo e cheio de imaginação. E ainda bem, porque gente desta faz falta nas nossas vidas, nem que apareçam simplesmente uma vez por ano, como é apanágio do americano músico/realizador/actor/comediante/escritor/argumentista.
Para o final, deixo mais uma das fantásticas frases do filme, e das que mais "bateu", mesmo a terminar o filme - em beleza, diga-se de passagem!
"That's why I can't say enough times, whatever love you can get and give, whatever happiness you can filch or provide, every temporary measure of grace, whatever works."
Este é um filme que não pode passar despercebido aos amantes do humor. Muito, muito bom!

9/10

13 março 2010

BEACH HOUSE - "Teen Dream"

Os Beach House são um duo de Baltimore (terra dos criativos e experimentais Animal Collective), formado há meia dúzia de anos e que lançam agora o terceiro álbum, de seu nome "Teen Dream".
Poder-se-á dizer que os Beach House fogem um pouco à rotina das bandas emergentes. Normalmente, surgem como uma bomba no álbum de estreia, e depois começam a espernear para não perderem qualidade nos trabalhos seguintes. Os Beach House, qual antítese do modelo pop, decidem brindar-nos de cada vez que lançam um álbum com algo que não esperávamos, depois de já terem feito trabalhos soberbos.
Este "Teen Dream" é basicamente isso. Um álbum melhor que os anteriores, com um ambiente cada vez mais bem definido e com melodias que se conseguem ouvir até ao infinito. Porque ouvir Beach House é fechar os olhos e esperar que nos tele-transportem para um lugar mais leve, recheado de objectos brilhantes, suaves e fofinhos.
O single de apresentação, "Norway", consegue definir bastante bem aquilo que podemos esperar de "Teen Dream", e quando dermos conta já não fazemos mais nada a não ser cantarolar o refrão. Mas o álbum não se resume a "Norway", nem de perto nem de longe. Portanto, há ainda que apreciar "Silver Soul", isto depois dos hipnotizantes primeiros acordes da primeira faixa do CD, em "Zebra". A viagem pelo mundo leve prolonga-se em "Used To Be", sem dúvida uma das melhores canções do álbum - então quando se chega a metade da música e a doce voz da Victoria Legrand se junta ao piano, prolongando-se até ao final, ui ui...
A beleza musical das composições vai-se mantendo num nível muito homogéneo e acima da média, até que nos chega "10 Mile Stereo", a música mais ritmada, a música mais "ambience" e a música mais bela! Remete-nos para o universo dos Sigur Rós, sem nunca deixar de ser Beach House. Um monumento! "Take Care" anuncia uma despedida (do álbum), mas não podiam ter escolhido melhor música para finalizar aquele que é para já, um dos álbuns do ano.
E daqui a menos de uma semana, lá estarei eu de olhos fechados a imaginar o meu próprio mundo, à custa dos sons hipnotizantes, calmos e relaxados dos Beach House. Vai ser bonito.

9/10

VAMPIRE WEEKEND - "Contra"

Há dois anos, apareceram vindos de Nova Iorque uns rapazitos que surpreenderam o mundo da música com as suas batidas afro-caribenhas misturadas com muito ritmo e guitarradas a condizer. Foram considerados a revelação do ano e autores de um dos melhores álbuns de 2008 (inclusive por mim).
2010 marca o ano do regresso dos Vampire Weekend.
E é um regresso bem amadurecido.
"Contra" não deixa, em momento algum, de ser claramente Vampire Weekend, mas os pontos de ligação com o primeiro álbum também não são muitos. Ou seja, os americanos não se deixaram dormir à sombra da bananeira (palavra apropriada, tendo em conta os ritmos africanos?) e o resultado é muito positivo. Nota-se acima de tudo evolução.
"Horchata", a faixa de abertura do disco, é para ouvir debaixo de uma palmeira com um batido de coco. Seguem-se "White Sky" - onde se consegue fazer um refrão "catchy" apenas com uma sílaba (típico neles) -, "Holiday" - numa aproximação mais visível ao álbum homónimo (e isso é necessariamente bom!) - e "California English" - uma das músicas em que a letra e os trocadilhos se tornam mais visíveis e complicados, bem acompanhados pela percussão. "Taxi Cab" é certinha, e "Run" desata numa loucura electrónica bem agradável a partir da segunda metade da faixa.
Com "Cousins", o ska-punk mais viciante que já vivenciei, termina o pop dos 3 minutos, por assim dizer, e chegam-nos uns Vampire Weekend diferentes, uns Vampire Weekend  que se deixam envolver pelo ambiente dos sons criados e que o aproveitam. O resultado são duas das melhores músicas do álbum. "Giving Up The Gun" e "Diplomat's Son" seguem uma toada mais calma, mais controlada, mas com qualidade acima da média. 
"Contra" é um álbum cheio de (boas) influências, mas é também um álbum que começa a definir uma banda, banda essa que pode vir a influenciar muita da música que se pode vir a fazer nos anos vindouros. Os Vampire Weekend tinham todas as atenções e os críticos todos à perna caso fracassassem após o primeiro álbum. Mas pode dizer-se com grande grau de segurança, para azar de alguns e para sorte de muitos mais, que o desafio foi amplamente superado.
 
9/10

11 março 2010

Alice in Wonderland

"Alice in Wonderland" era sem dúvida um dos filmes mais aguardados dos últimos tempos. Realizado por um dos mais excêntricos e adorados cineastas dos nossos tempos, com actores de primeira linha e com a história famosa de Carroll que todos adoram.
Adianto já que "Alice" deixou de ser propriamente um filme de maravilhas, mas antes de pesadelos, de monstros, de terrores. Mas sem nunca deixar de atingir o seu real objectivo.
A história de "Alice" passa-se 13 anos depois da primeira visita da pequena ao "País das Maravilhas". O problema é que deixou de ser "Wonderland" e passou a ser "Underland". Terras sem cor, pálidas e escuras a contrastar com a alegria e a cor dos seus habitantes. E para isso estava lá Tim Burton e as suas personagens desproporcionadas, pálidas e completamente surreais, formando assim a conjugação ideal para miúdos e graúdos, cada um ao seu jeito, apreciarem o filme na máxima plenitude. 
Com este filme, o realizador americano consegue emprestar a todas as personagens um quê de divertido, sem nunca lhes tirar o ar sinistro. Assim, "Alice no País das Maravilhas" não deixou de ser um filme "burtoniano" nem deixou de ser um filme infantil. 
Confesso que sou um fã (dos grandes) de Tim Burton. Porque gosta de brincar com a imaginação - com a dele e com a nossa também. Portanto, os seus projectos são quase todos a apelar ao fantástico, à fantasia (coisas diferentes), ao grotesco. Este não fugiu à regra, e ver as personagens que todos nós imaginámos de uma forma há algumas décadas ganharem contornos completamente distintos é das coisas mais divertidas do Universo Burton. Ver um Chapeleiro lunático, uma Rainha Vermelha desproporcional e agressiva ou uma Rainha Branca do mais pálido e sensível que existe é algo que só se pode vivenciar na sua plenitude numa sala de cinema.
Depois, e em termos mais técnicos, tudo bate certo no filme. Fotografia espectacular, composição das personagens surrealmente divertida. Acho que não se podia pedir mais, a não ser uma duração curta do filme, que foi conseguida (1h40 de filme parece-me apropriado ao tipo de filme e à história). 
Tim Burton conseguiu reinventar um clássico infantil e fazer dele um clássico sénior também. Está de parabéns!


8/10

Eles estão a chegar!

Isto é aquilo a que se pode chamar verdadeiro marketing

Mesmo quem não gosta da música, é praticamente obrigado a ver!

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