31 outubro 2009

Mariza no Coliseu do Porto

Ontem foi dia de ir ao Coliseu.
Mas foi tudo muito repentino e nada pensado. Uns amigos tinham ido no dia anterior e tinham adorado. Eu descobri que havia um segundo concerto agendado e lá tentei a minha sorte.
Os bilhetes estavam praticamente esgotados, não havia muita possibilidade de escolha... Mas não hesitámos e fomos na mesma.
O local era alto. Muito alto mesmo! O mais alto do Coliseu. E ficávamos mesmo por cima do palco. Em termos sonoros, não terá sido o melhor sítio para usufruir do concerto - os instrumentos tinham perfeito alcance, mas a voz nem sempre parecia estar a chegar nos "conformes".
Não obstante estes pequenos percalços, o espectáculo foi muito bom. Confesso que conhecia pouco da Mariza, para além dos grandes sucessos. Mas a fadista canta com alma, com garra e acompanhada por músicos de altíssima qualidade. O curioso é que um concerto de Mariza é muito mais do que um espectáculo de Fado. Definitivamente, deixou para trás essa designação, não deixando obviamente de parte as suas influências. A essência é Fado, mas também é muito mais que isso. É World Music, como é modo chamar. Temos a típica guitarra portuguesa, acompanhada da típica guitarra baixo, às quais se juntam a atípica guitarra acústica, o atípico piano e a atípica bateria. São elementos acrescentados no som de Mariza, que a tornam muito mais do que a melhor fadista do Mundo. Tornam-na numa das grandes artistas mundiais.
Para já, transborda simpatia e empatia com o público. Tem energia, torna o Fado uma coisa alegre, não descuida pormenores e não quer o protagonismo só para ela, distribui-o pelos restantes músicos - aqui, grande destaque para o baterista, que conquistou o público (apesar de ter cometido alguns erros - pareceu-me).
A voz da luso-moçambicana é de uma potência ímpar. Para tal, vejamos que cantou sem micro para um Coliseu á abarrotar, e arrepiava como se estivesse a usar o micro.
O momento alto foi mesmo o famoso "Ó Gente da Minha Terra", que foi interpretado no meio da plateia, e teve direito a umas lágrimas lá pelo meio, facto que levou o auditório à grande ovação da noite. Tocante, sem dúvida!
Portanto, ver Mariza é ver muito mais do que Fado. É ver emoção, alma, garra, alegria e interacção. Diria que Mariza caracteriza na perfeição as características portuguesas, e é com orgulho que a vejo a representar Portugal ao mais alto nível. Com certeza os estrangeiros ficarão com a melhor impressão sobre o nosso povo, disso não haja dúvidas!
Mariza é um dos grandes orgulhos nacionais, e ontem pude comprová-lo.

29 outubro 2009

Quando a liberdade criativa não tem limites


Vercorin é uma cidade suíça embutida nos Alpes.
Para além de constituída por casas típicas e absolutamente deslumbrantes, tem uma particularidade.
Existem imensas circunferências à volta das casas.

Fenómeno estranho, mas que só é conseguido com a abertura mental dos habitantes locais, aliados a um bom sentido de humor.
A ilusão de óptica do ângulo em que a fotografia é tirada provoca um efeito agradável e deveras curioso, só desvendado quando se obtêm fotos de outros ãngulos.

 
O link mostra-nos a imagem panorâmica.

27 outubro 2009

ATLAS SOUND - "Logos"


Atlas Sound é o projecto a solo de Bradford Cox (Deerhunter), aquele que eu considero o Manuel Cruz dos States (à devida escala, e sem querer cair em comparações de géneros) - simplesmente genial. Está envolvido em vários projectos, ajuda quando pode, quando quer, quando está inspirado.
"Logos" é editado num ano em que foi lançado um EP dos Deerhunter - depois de no ano transacto ter havido um álbum de Deerhunter e de Atlas Sound - e, segundo as crónicas, foi um álbum feito ao primeiro take, em que a ideia surgia, era gravada e de seguida surgia outra. Um álbum por instinto, portanto.


Este "Logos" transpira a sonoridade que me conquistou em Deerhunter. É tudo e não é nada de específico. Algum shoegaze a abrir com "The Light That Failed", ao qual se segue uma música acústica a lembrar Radiohead em "An Orchid". Tudo é feito com simplicidade de processos, onde tudo encaixa e flui na perfeição. E assim aparece "Walkabout", um dueto com Panda Bear dos Animal Collective, que traz um pouco de loucura, animação e luminosidade a um "Logos" que se mantém num lado mais nocturno, como é habitual. Depois chega "Shelia", um caso de amor à primeira vista comigo. É impressionante como a música é absolutamente viciante, apenas praticamente com uma guitarra à nossa frente (ouvidos).
"Quick Canal", que tem a colaboração de Laetitia Sadier dos Stereolab, é uma ode à música. O baixo a marcar o ritmo, a voz suave da francesa, todos os elementos que vão sendo introduzidos ao longo dos mais de 8 minutos da faixa... Música de paixões.
"Washington School" é, depois do dueto com Panda Bear (ou Noah Lennox, como preferirem), a segunda grande maluqueira de "Logos", com sons mais experimentais, para fazer a vontade ao amigo dos Animal Collective, certamente.
Para finalizar as referências (que foram a quase todas as músicas) "Criminals", "Logos" ou "My Halo" não ficam nada atrás daquilo que foi feito em "Microcastle/Weird Era Continued", o que me faz afirmar com certeza que Bradford Cox está em grande forma, cheio de ideias, e com isto vai aumentando a consideração que tenho por ele.

"Logos" de Atlas Sound entrou directamente para a minha lista de preferidos do ano, um álbum que sabe bem ouvir em todas as ocasiões, tal a diversidade e carga emocional que transporta.

9/10

26 outubro 2009

Carta ao S. Pedro

Senhor São Pedro,

Venho por este meio demonstrar o meu mais profundo desagrado com aquilo que se tem vindo a passar com o tempo que faz em Portugal. Sendo este o teu Ministério e a meteorologia a tua principal competência - confirmada por anciãos e até pelos meus antepassados -, senti-me na obrigação de falar directamente com o mais alto responsável pelo estado em que a meteorologia se encontra neste país à beira mal plantado.
Sinto saudades de ter chuva na altura da chuva. Estou farto do sol. E ainda mais revoltado fico quando reparo que, na minha única semana de férias de todo o ano, em pleno Agosto, apanhei mais chuva do que bom tempo. E pergunto eu: Será justo? A mim não me parece, até porque não tenho falhado os três Pai-Nosso's e as cinco Avé-Maria's que te prometi depois de ter apanhado a maior chuvada da minha vida no mais quente dia do ano. E não digas que eu tive a culpa de andar de havaianas, calções e toalha, porque o dia estava bem convidativo e os teus discípulos (aqueles que aparecem de manhã no Bom Dia Portugal) não previam nada mais do que um dia solarengo.
Tudo isto para te dizer que estou chateado. Chateado por ter mudado as bolas de naftalina da gaveta das camisolas de Inverno para a das t-shirts de Verão. E acabo por andar com roupa a cheirar a naftalina... O que nem sempre é agradável. Mas o grande problema passa-se na gaveta das camisolas de Inverno. A naftalina já lá não está, e quer-me parecer que, quando usar uma das camisolas da respectiva gaveta, o cheiro a mofo vai ser tão grande que vou ter que lavar aquilo tudo. Não preciso de te explicar as consequências da lavagem excessiva de roupa, quer para o ambiente e para o efeito de estufa, quer para o meu bolso (todos sabemos que as lavagens vão desgastando a roupa), pois não? Tu não nos dás bom tempo para nos castigares pela destruição da camada de ozono, e nós trocamos as bolas de naftalina do local apropriado e temos que lavar mais vezes a roupa... E assim entramos num ciclo vicioso para o qual não encontro resolução viável...
Como não me quero zangar a sério e ir para o Inferno fazer companhia ao Saramago - gosto muito dos livros dele, mas ele é comunista e bastante mais idoso do que eu -, vinha pedir que revisses este processo, porque acredito não ser o único a queixar-me do mesmo.
Devo acrescentar ainda que toda esta indignação deve-se ao facto de há uns dias ter comprado roupa para a estação fria, e afinal parece que podia poupar uns cobres e esperar pelos saldos de Janeiro.
O mínimo que espero da tua parte é que, para a próxima, me dês um sinal. Pode ser na festa da Afurada (à Póvoa de Varzim eu não vou). Posso estar tocado mas não me esquecerei, prometo.

25 outubro 2009

District 9

Ontem foi dia de ver District 9, um filme que levantou um grande hype à volta dele com um orçamento baixíssimo e com uma produção independente. Um filme que pretendia ser praticamente amador acaba em sucesso mundial, e eu não podia deixar de ver!
Em primeiro lugar, nunca gostei de filmes sobre aliens; acho até que nunca vi um desses filmes do início ao fim...
No entanto, com toda a crítica a elogiar o filme, a dizer que fugia bastante ao estereótipo habitual, é claro que tinha que ver para poder opinar. Apenas tinha receio que as minhas expectativas fossem demasiado elevadas e me levassem a não valorizar o filme devidamente.
"District 9" é muito mais do que um filme de aliens.
Explicando um pouco a história base, os aliens chegam à Terra enfraquecidos, frágeis, e com a sua nave avariada. E o bom ser humano arranja-lhes um sítio para poderem ficar. Um espécie de "Apartheid" dos tempos modernos, uma espécie de favela, com leis próprias (ou seja, sem lei), dos quais os aliens não podem sair. Como a população de Johanesburgo (onde a acção se desenrola) está descontente, decide-se por uma deslocação do D-9 para outro ponto mais distante da civilização.
E a partir desta alegoria (diria) forma-se toda a trama, sendo o filme apresentado em diversos estilos. Desde o documentário (para contar a história da personagem principal, Winkus, vista de fora), ao noticiário de TV (para termos o background da chegada dos aliens), passando pela câmara na 1ª pessoa (ao bom estuilo de Metal Gear Solid), câmaras de vigilância e a forma mais "normal" de rodar um filme.
Há de tudo, e logo toda esta dinâmica dá um "gosto" especial à película.
Depois, a história.
Este não é um filme de aliens maus e vingativos e humanos bons e defensores do seu planeta. Os aliens não pretendem invadir e dizimar todos os habitantes terrestres. Os aliens não são todos feios, porcos e maus. E o oposto não pode ser dito dos humanos.
Temos antes uma separação de dois mundos que tentam ao máximo não se misturar, não se compreender. Uns vivem sem lei, são excluídos da sociedade e sem governo. Os outros tentam ao máximo ignorar a sua presença, e quanto mais longe estiverem melhor. Penso que não será difícil estabelecer elos de ligação a realidades bem palpáveis na nossa civilização.
A juntar a toda esta "mensagem", temos acção e efeitos especiais q.b., por forma a contar a história de um humano (a personagem principal) que foi infectado por um líquido alienigena e que se está a tornar extraterrestre. Este facto torna-o o principal alvo de uma daquelas organizações que todos conhecemos, cheia de fachadas e com propósitos bem obscuros, tudo para conhecimento do funcionamento alien, para as razões de sempre... Assuntos bélicos.
As relações pessoais acabam também por ser bem exploradas, quer a relação humano-alien, humano-humano e alien-alien. Faz-nos pensar que não é necessário andarmos todos à batatada, e que uma existência em comum é bem possível e até desejável.
Assim, e concluindo, "District 9" apresenta-se como um filme que consegue chegar às massas, quase sem querer (diria), abordando assuntos muito "queridos" do grande público, como acção e efeitos, mas não sendo um filme sci-fi oco e sem conteúdo. Um binómio interessante e bem conseguido, que o torna num dos filmes mais aclamados do ano.

9/10

Que horas são?


Confesso que estes dias de mudança de hora me deixam sempre à nora.
Neste preciso momento, não sei se é 1:18 ou 0:18...
Não sei se é cedo ou tarde para me deitar.
Não sei se durmo mais um pouco ou se vou acordar demasiado cedo.
São demasiadas coisas para a minha lenta e apertadinha cabeça...

Que tal deixarem a hora sempre na mesma?

23 outubro 2009

The Knife - Audiovisual Experience

Os The Knife são suecos, fazem música electrónica e são fantásticos.
Conheci-os graças a Fever Ray, a vocalista deste projecto que lançou este ano um fantástico álbum.
E não posso estar desiludido com aquilo que descobri.
Além do disco "Silent Shout", encontrei um DVD que é mesmo aquilo que o título deste post diz.
Uma experiência! E daquelas bem loucas! O espectáculo completo está aqui, mas deixo deixo nesta página um cheirinho:

Que tal, hein?

22 outubro 2009

Rita Rato. Sinais da obtusidade política

Rita Rato é uma das novas deputadas do parlamento português.
Rita Rato é do PCP.
Rita Rato deu recentemente uma entrevista ao CM, em que se abordaram diferentes assuntos da sua vida, entre os quais o seu processo de entrada no Partido, a sua vida académica (é Licenciada em Ciências Políticas e Relações Internacionais) e as ideologias do seu Partido.
A páginas tantas, faz umas perguntas a modos que mais complexas. E Rita Rato responde! Apesar de o fazer com algumas limitações, lapsos de memória, ou simplesmente por não poder dizer. Mas eu vou tentar ajudá-la em algumas questões - naquilo que souber, que também não é muito!

- Concorda com o modelo que está a ser seguido na China pelo PCC?
- Pessoalmente, não tenho que concordar nem discordar, não sou chinesa. Concordo com as linhas de desenvolvimento económico e social que o PCP traça para o nosso país. Nós não nos imiscuímos na vida interna dos outros partidos.

- Mas se falarmos de atropelos aos direitos humanos, e a China tem sido condenada, coloca-se essa não ingerência na vida dos outros partidos?
- Não sei que questão concreta dos direitos humanos...

- O facto de haver presos políticos.
- Não conheço essa realidade de uma forma que me permita afirmar alguma coisa.

- Mas isto é algo que costuma ser notícia nos jornais.
- De facto, não conheço a fundo essa situação de modo a dar uma opinião séria e fundamentada.
Ora bem...
Comunismo na China?
Nunca ouvi falar. Ou melhor, ouvi, mas foram uns zumbidos. Pensei que fossem moscas à minha volta.
Além disso, não conheço a situação de presos políticos, não conheço a situação das torturas, nem sequer sei falar chinês para poder perceber. Mas eu até queria!
E qualquer dia ainda hei-de ir ao Tibete!

- No curso de Ciência Política e Relações Internacionais, não discutiu estas questões?
- Não, não abordámos isto.
E o meu curso de Política foi parecido com o de culinária. Não falámos de sushi nem de peixe-balão, porque podíamos ter uma intoxicação alimentar.
Não falámos de Comunismo porque infelizmente estive na Festa do Avante nesses dias.

- Como olha para os erros do passado cometidos por alguns partidos comunistas do Leste europeu?
- O PCP, depois do fim da URSS, fez um congresso extraordinário para analisar essa questão. Apesar dos erros cometidos, não se pode abafar os avanços económicos, sociais, culturais, políticos, que existiram na URSS.

- Houve experiências traumáticas...
- A avaliação que fazemos é que os erros que foram cometidos não podem apagar a grandeza do que foi feito de bom.

- Como encara os campos de trabalhos forçados, denominados gulags, nos quais morreram milhares de pessoas?
- Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso.

- Mas foi bem documentado...
- Por isso mesmo, admito que possa ter acontecido essa experiência.

- Mas não sentiu curiosidade em descobrir mais?
- Sim, mas sinto necessidade de saber mais sobre tanta outra coisa...
O Estaline só queria o bem do seu império.
O Estaline só entrou numa guerra em que apenas poderia sair vencedor... Estava dos dois lados e tudo! Tão bonzinho que era.
O Estaline só matou milhões de russos nessa guerra. Aliás, aqueles que tentassem recuar as linhas, eram abatidos por...russos. Também eram tantos, e o pão escasseava durante os gelados meses de Inverno.
Os gulags eram campos de férias, e passaram a ter mais sub-unidades quando os soviéticos foram conquistando campos de concentração nazis - esses sim! Eram maus, e sangrentos e violentos.
Além disto, "nunca li nada nem estudei nada do assunto".

Mas será que alguém acredita neste espécime?
Tudo bem que o Comunismo não tem um passado de orgulho, mas penso que agora estará ligeiramente diferente do "antigamente".
Não teria sido mais fácil dizer que as ideologias de há 50 anos já estão ultrapassadas e foram readaptadas, menina Rato.
Além disso, deve ter andado a faltar às aulas, a malandra.
Se foi para ir à Festa do Avante, está desculpada!

21 outubro 2009

Há surpresas ou não?


Simplesmente arrepiante.
Músicas destas fazem a minha terra parar de girar.

Quem fala assim...

O "Team America" é um grande filme, que culmina de forma brilhante num dos mais emocionantes discursos que já vi no mundo da 7ª arte.

Comovente e bem verdade!

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